Por Rubens Faria

A participação de pessoas idosas na força de trabalho do mercado vem aumentando ano após ano. No começo desta década, as empresas contavam com 6% de pessoas com mais de 60 anos em seu quadro de profissionais; hoje, já são quase 8%. Esse aumento tem duas principais razões, a saber:

  1. Aumento da aceitação de idosos no quadro de profissionais, motivada pela diminuição do preconceito devido ao envelhecimento da população (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea, 2018);
  2. Dificuldades financeiras oriundas das crises de 2007 e 2019, e pela reforma da previdência (O Estado de São Paulo, 2020).

Com mais pessoas idosas no mercado de trabalho, o desemprego nessa faixa etária também aumentou. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, o desemprego entre os idosos saiu de 18,5% em 2013 para 40,3 em 2018. “Estamos tendo mais pessoas nesta faixa etária. A oferta é maior e aumenta o desemprego”, explica a coordenadora Mariana Almeida da Secretaria de Trabalho.

Créditos da imagem: Startupi

Precariedade

O cenário de crise é propício para precariedade nos postos de trabalho ocupado por idosos. Sem qualificação adequada e falta de atualização frente às novas tecnologias, sobram os postos informais nesse segmento. 

As vagas com carteira assinada representam apenas 27% do total nesse grupo populacional (Ipea, primeiro trimestre de 2018), isto é, vagas fora da Consolidação das Leis Trabalhistas e informais ganham força no setor. 

Políticas públicas 

O Estatuto do Idoso é o grande aliado dessa população para conseguir mais presença no mercado de trabalho. Enquanto por um lado ele determina a criminalização do preconceito à pessoa idosa, ele também obriga os editais de concurso a utilizarem idade como critério de desempate, dando preferência aos candidatos com mais idade, além de oferecer estímulos à empresas privadas na contratação de pessoas idosas. 

Contudo, pouco tem sido feito em respeito ao Estatuto segundo a técnica de planejamento e pesquisa do Ipea, Ana Amélia Camarano. Em entrevista à Agência Brasil, ela conta que está em discussão no Congresso Nacional uma emenda ao estatuto para que as empresas reservem um percentual de vagas para os idosos. “Isso pode ajudar a aumentar a participação dos idosos no mercado”, disse.

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