Por Rubens Faria

O isolamento provocado pelo Coronavírus (Covid-19) não tem sido levado a sério por quem mais precisa dele: o idoso. Parte do grupo-vítima preferencial, os idosos acima de 60 anos tem de 1,5 a 5 vezes mais chances de morrer pelo vírus se comparado a pessoas mais jovens. Além disso, esse risco aumenta se considerarmos as doenças associadas que provocam aumento das chances de óbito, como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e pulmonares, mais presentes em idosos. 

Se tornou comum assistir na internet vídeos com idosos tentando “escapar” de casa, as quais estão se tornando cada vez mais protegidas para conter os velhinhos. Ainda, bairros com maior presença de idosos estão sendo alvo de políticas públicas específicas. Segundo o site O Globo, em Copacabana (Rio de Janeiro) circula um carro de som com alertas à população mais velha para ficar em casa. Na Tijuca, também no Rio de Janeiro, praças que antes eram ponto de encontro para idosos, estão agora interditadas com fitas e avisos. 

Saúde mental em jogo

Para quem passou dos 60 anos e enfrentou tantos desafios, ficar em casa por causa de uma ameaça invisível pode ser estressante. Além disso, a falta de contato social pode ser de gravidade ainda maior quando se trata daqueles com idade mais avançada, os quais têm menos familiaridade com recursos de interação virtual. Observar de perto a saúde mental de idosos precisa ser uma tarefa de todos os seus responsáveis para que uma medida de segurança não surta o efeito oposto ao que se propõe. 

Cloves Amorim, professor da graduação de psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), especialista em envelhecimento e saúde da pessoa idosa, explica: “os maiores riscos são o deterioro cognitivo e em alguns casos a presença da ideação suicida, que pode piorar de acordo com algumas faixas etárias. Uma pessoa que passou a vida inteira deprimida, por exemplo, tem chances de apresentar esse traço na velhice, particularmente os homens. Isso se aplica, nesse caso, em sair de casa ou se contaminar”. Segundo o psicólogo, é essencial que os familiares se atentem à assistência básica, mesmo que remotamente. “A presença do excesso de medicamentos dentro de casa pode fazer o idoso tomar remédios que não deveria ou se confundir com os horários se estiver muito tempo sozinho. É possível que comam demais ou então abusem do açúcar, o que torna aqueles que têm glicose alta e pré diabéticos ainda mais vulneráveis. Esquecer de tomar água também é comum, e algumas síndromes podem ser ocasionadas pela falta do líquido no organismo”. 

Em parceria com o psicólogo e a psicóloga Regina Célia Celebrone, que coordenou o laboratório Luto e Envelhecimento da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a revista Forbes fez uma lista com sete dicas para idosos cuidarem da saúde mental nesse período. Confira:

  1. Compreender tecnologia: redes sociais como WhatsApp e Skype vêm se mostrando como uma das únicas formas de diminuirmos o sentimento de isolamento durante o período, com ferramentas que nos permitem conversar por texto ou vídeo-chamadas. Telefonemas também são importantes;
  2. Rodízio familiar: segundo Cloves, “esse esquema pode ser com telefonemas e e-mails, entre outros. A ideia é manter uma rotina segundo a cultura daquela casa e família para que a pessoa não se sinta isolada emocionalmente”;
  3. Escrever: “escrever sobre seus sentimentos em um diário para deixar os registros às próximas gerações pode ajudá-los a sentirem-se protagonistas como testemunhas de um momento único na história”, diz Regina;
  4. Acessar informação: “o desconhecido gera trauma, logo, é possível amenizar a angústia e a ansiedade, bem como transmitir uma segurança maior ao fornecer dados”, diz Regina. Para Cloves, escutar ou assistir o noticiário também é uma forma de acessar o esclarecimento;
  5. Construir uma rotina: “é importante manter uma rotina para dormir, por exemplo. Se ficar deitado o dia inteiro, a noite não tem sono, o que pode fazê-lo ter insônia ou dormir mal”, segundo Cloves;
  6. Se conectar com a espiritualidade: “se a pessoa tiver alguma prática religiosa, ela pode fazer uma meditação durante o dia, fazer uma oração de acordo com a sua crença, ler um texto da Bíblia. Tudo isso ajuda bastante”, diz Cloves;
  7. Exercer terapia ocupacional: “o que um idoso pode fazer para preencher seu tempo? É possível bordar, jogar jogo de mesa com os habitantes da residência caso não more sozinho, palavras cruzadas, ler, fazer receitas que demandarão tempo para preparar, assar, embalar e guardar, etc”. Esses são alguns exemplos dados por Cloves para alguém com idade mais avançada garantir seu bem-estar a partir da ocupação.
Fonte: Gerontologia Fitness

Como se movimentar sem sair de casa?

Pegando gancho no último ponto da lista, terapia ocupacional, fazer atividades físicas é primordial não só para a saúde mental, mas principalmente para a saúde física. Incentivar a pessoa idosa a se exercitar no tempo livre que aumentou graças ao isolamento pode ser um convite para se cuidar e viver melhor.

Segundo Daniel Oliveira, ortopedista especializado em coluna vertebral, “nessa fase, a mobilidade e força muscular acabam comprometidas e os exercícios são fundamentais para melhorar o sistema imunológico, tão falado no momento, a resistência, a coordenação motora, o equilíbrio e a disposição ao longo do dia. Além de melhorar a saúde cardiovascular, respiratória e diminuir o estresse nas articulações. Assim, aqueles que antes praticavam caminhada, hidroginástica ou atividades nas academias ao ar livre acabam sem saber o que fazer em suas residências e como realizar esses exercícios. Diferente do que muitos pensam, é possível movimentar o corpo sem sair de casa. Alongamentos, caminhadas leves, mesmo que pelos cômodos da casa, além de atividades que fazem uso do próprio peso corporal e danças são recomendadas e essenciais. Além dos benefícios para o corpo físico, as atividades auxiliam também na redução da ansiedade durante esse momento de pandemia”. 

Abaixo aos pijamas!

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