Por Rubens Faria

Os avanços das ciências da saúde aumentaram a expectativa de vida e, com ela, idosos com mais de 80 anos, considerados longevos, são cada vez mais comuns na sociedade. A longevidade, contudo, caminha ao lado de enfermidades que a medicina ainda não conseguiu desvendar e, entre elas, a mais comum é a Doença de Alzheimer. 

Considerado o mal do século XXI por ter características epidêmicas, o Alzheimer afeta 10% da população idosa brasileira e é esperado que esse número dobre a cada 20 anos, de acordo com artigo publicado por Jane Teixeira (clique aqui para ler o artigo completo). Em idosos acima de 100 anos, a incidência é de 70%. O Alzheimer é a causa de 60% dos quadros demenciais e, ainda segundo Jane, “é a principal causa de dependência funcional, institucionalização e mortalidade entre a população idosa”. 

A despeito de ainda não ter cura ou protocolos seguros de prevenção, é possível criar hábitos que retardem seu aparecimento ou evolução do quadro da demência, estendendo a qualidade de vida ao longo da velhice. Veja a seguir! 

Como sempre, fazer exercícios

Exercício físico é panaceia na preservação da saúde. De acordo com Drauzio Varella, fazer exercícios físicos “protege contra ataques cardíacos, derrames cerebrais, obstruções arteriais, diabetes, doenças respiratórias, câncer em diversos órgãos, problemas articulares, transtornos psiquiátricos, perda de massa muscular, osteoporose, reduz o risco de quedas acidentais e fraturas ósseas na velhice, além de preservar por mais tempo as funções cognitivas”. 

É neste último ponto que está incluída a prevenção da Doença de Alzheimer, pois, após se exercitar, neurotrofinas que ajudam na memória são liberadas no cérebro. Não se sabe exatamente a quantidade de exercício físico necessária, mas há consenso que três horas semanais sejam suficientes para ajudar o corpo a se proteger. 

Alimentar-se corretamente 

Sua avó estava certa ao dizer que peixe faz bem para o cérebro. Não só o peixe, mas todos os alimentos ricos em gorduras boas, como o ômega 3 e a monoinsaturada, reduzem os riscos de declínio cognitivo. Portanto, abuse de peixes como salmão, atum e sardinha, castanhas e óleos vegetais crus (soja, oliva etc.), isto é, que não foram expostos ao calor extremo.

Em complemento às gorduras boas, os antioxidantes são substâncias importantes para impedir a manifestação dos radicais livres, moléculas que oxidam as células do corpo, incluindo do cérebro. Os antioxidantes são encontrados em frutas, verduras, cereais e também nos óleos vegetais. 

Dormir bem

Uma boa noite de sono é a base de uma mente sã. Dormir a quantidade de horas que o corpo precisa, sem interrupções, controla o acúmulo das placas de beta-amiloide, uma proteína tóxica para o cérebro, naturalmente presente no organismo e principal responsável pela Doença de Alzheimer. 

Para saber quantas horas de sono o seu corpo precisa, basta acordar sem o despertador e fazer a conta baseada na hora em que você foi dormir. 

Tratar transtornos mentais 

Transtornos mentais como ansiedade, estresse e outras doenças psiquiátricas, precisam ser tratados corretamente, sem tabu ou preconceito. Transtornos mentais não tratados estão intimamente ligados ao déficit cognitivo e, portanto, corresponsáveis pelo desenvolvimento não só da Doença de Alzheimer, mas de outro tipos de demência.  

“Estudos já mostraram que 90% das pessoas com Alzheimer tiveram mudanças comportamentais ou psicológicas, como depressão, ansiedade e agitação. Nossa pesquisa sugere que essas alterações começam antes do indivíduo ter uma demência diagnosticável”, explica Catherine M. Roe em entrevista à revista Veja, coautora do estudo “Noncognitive symptoms of early Alzheimer disease” (Sintomas não cognitivos da doença de Alzheimer precoce, em tradução livre).

Evitar excesso de peso e cuidar da saúde de forma geral

De acordo com estudo publicado em 2010 por Paul Thompson, da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, o gene associado à obesidade foi variante genética que contribui, além do aumento da massa gorda, para degeneração cerebral. Segundo Thompson, “a obesidade é um fator conhecido para o declínio cognitivo”, contudo, o novo estudo não identificou o mecanismo por trás da atrofia cerebral nos portadores do gene.

Além da obesidade, altos níveis de colesterol estão diretamente ligados ao desenvolvido da Doença de Alzheimer. Altos índices de glicose e pressão alta também estão associados à morte de neurônios, problemas cognitivos e perda de memória.

Por fim, estimule o cérebro! 

Imagine a seguinte situação: um furacão está à caminho de duas cidades, uma grande, com ruas densas de construções de alvenaria, e a outra pequena, pacata, com construções de madeira espaçadas. Depois do furacão, o cenário é óbvio: ambas as cidades perderam igualmente parte de sua estrutura, contudo, pela cidade grande ter mais prédios e alicerces mais sólidos, o que sobrou depois do furacão foi suficiente para ela continuar a prosperar. Para a cidade menor, pouco sobrou além de algumas estacas em pé. A metáfora compreende o furacão como a Doença de Alzheimer e as cidades como um cérebro com mais repertório e outro mais preguiçoso. 

Aprender coisas novas, seja lendo, aprendendo novas habilidades ou conhecendo pessoas diferentes estimula novas conexões neuronais – quanto maior a comunicação entre nosso neurônios, mais sólida e desenvolvida estará nossa “cidade”. É sabido que os neurônios se regeneram mais lentamente depois da adolescência, contudo, podemos compensar essa lentidão estimulando as células do cérebro a contornar suas falhas por meio dessas novas conexões. 

O oposto também é verdade: de acordo com o neurologista Paulo Bertolucci, da Universidade Federal de São Paulo, “a inatividade cognitiva aumenta em 19% o risco de ter Alzheimer”.

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