Por Rubens Faria

De Pirituba, zona norte da capital paulista, Alan nasceu em uma família de pessoas sonhadoras. Seu pai, migrante paraibano que chegou em São Paulo ainda adolescente, trabalhou duro para empreender no ramo de livros. Foi com ele que Alan aprendeu o valor da educação e do empreendedorismo, lições que, no futuro, ajudariam o jovem de trinta e poucos anos a fundar o Residencial Aurora. Conheça agora sua história.

Conte-nos um pouco de você e qual o seu repertório na área da saúde.

Meu nome é Alan, tenho 34 anos e sou vidrado pela vida e pelas relações humanas. Me considero uma pessoa comunicativa e extrovertida e procuro seguir sempre por um caminho positivo para mim e as pessoas ao meu lado, pois para mim a vida faz mais sentido quando há um bem estar geral ao meu redor. Este clima de bem estar e felicidade me alimenta e me restaura todos os dias. Profissionalmente, sempre me imaginei na área da Saúde. Comecei Biologia, mas não me adaptei ao curso. Já tinha como segunda opção a Fisioterapia. Após alguns meses do início do curso, não tive mais dúvidas e me graduei em 2010 pelo Centro Universitário São Camilo. Em seguida, tive duas oportunidades: uma na área de Saúde do Trabalho e outra em Geriatria. Segui as duas carreiras dividindo meu tempo, mas a Geriatria pouco a pouco foi tomando conta do meu coração, pois eu amava estar em contato com os meus clientes e por aprender sobre suas histórias ao longo das sessões. Me pós-graduei em Gerontologia pelo Centro de Educação em Saúde Abram Szajman em 2016. Meu próximo passo será iniciar o mestrado em Envelhecimento Humano.

Como o Residencial Aurora começou? O que você desejava conquistar quando teve a ideia de empreender?

O Residencial Aurora começou de um sonho antigo, em ver um local com oportunidades de convivência e socialização para a pessoa idosa. A maioria dos residenciais hoje acabam despriorizando esses fatores, que são essenciais para o envelhecimento saudável, então tento fazer a diferença aqui. Quando me planejei para fundar o Residencial Aurora, meu maior objetivo era continuar perto das pessoas idosas, pois me sinto realizado com eles. Os objetivos secundários eram ter minha fonte de renda trabalhando com idosos e, pensando no longo prazo, desempenhar uma atividade que não me trouxesse tanto desgaste físico quanto as sessões de fisioterapia.

E qual foi sua maior inspiração?

Minha maior inspiração foi o Residencial Israelita Albert Einstein (RIAE), onde fiz meus estágios de faculdade e pós-graduação. É uma estrutura gigante que visa o bem estar da pessoa idosa, tudo é pensado para eles. Muitos dos processos e práticas do Residencial Aurora foram inspirados no que eu aprendi no RIAE. Aquele local é um sonho.

Você teve medo?

Tive muito medo inicialmente, pois eu idealizei muitas coisas no início, acho que isso é normal. O real é diferente, o fator humano é bem importante nesse tipo de negócio. O medo foi vencido pois não estava sozinho na liderança, você, como meu ex-sócio (este que vos escreve foi sócio do Residencial Aurora no seu primeiro triênio), fez toda a diferença para este medo inicial se extinguir. Hoje estou como CEO, mas todas as ferramentas para um bom serviço foram construídas e estão em transformação devagar, para prestarmos um atendimento cada vez melhor.

Quantos profissionais o Residencial Aurora tem hoje?

Hoje temos cerda de 22 profissionais que se dividem nos times de Enfermagem, Limpeza, Cozinha e Gestão.

Enquanto líder do time, qual é o seu papel no Residencial Aurora?

Acredito que o meu principal papel aqui é dar o melhor exemplo possível. Mostrar que realmente o principal aqui é trazer conforto e bem estar para os idosos. Tenho grande preocupação em atender bem as famílias, então também passo isso para a equipe.

Você é responsável pelo bem estar de inúmeras vidas no seu trabalho. Mas qual é a sua verdadeira batalha no dia a dia?

A verdadeira batalha é trabalhar nos idosos a compreensão das nossas condutas, seus porquês e necessidades. Por exemplo, a alteração na comida apresentada ao idoso, como um cardápio sem açúcar e com grãos integrais. Isso pode acontecer por causa do diagnóstico de diabetes, ou uma dieta mais pastosa por conta do maior risco de engasgo frente a algumas patologias. A conscientização de que aquilo é o melhor para ele pode ser difícil de conseguir, pois se alimentar é um prazer, e apenas “empurrar” a comida para dentro traz frustrações tanto para o idoso quanto para gente, que quer que ele aproveite o máximo da refeição em todos os sentidos. Então considero que a resiliência necessária para conduzir mudanças no dia a dia deles, e também das famílias, é o meu maior desafio. Ter a postura correta e mostrar que as decisões tomadas podem fazer a diferença na qualidade de vida deles e das famílias, ter essa força para se colocar às vezes em oposição ao mais fácil, ou mais simples, e talvez mais prazeroso, para apresentar o que pode realmente fazer a diferença.

O que você pensa sobre o envelhecimento da população? Nesse cenário, você acha que os residenciais para idosos serão cada vez mais necessários?

(A necessidade dos residenciais para idosos) É inevitável até o momento. Hoje temos uma população cada vez mais velha, vivemos mais, pois a ciência evolui e nos traz novas oportunidades em reabilitação e cura de doenças e afecções, o que antes não era possível. A vacina erradicou a varíola e seguimos em uma batalha contra o coronavírus, que já estamos vencendo. O envelhecimento da população vai continuar e políticas públicas aqui no Brasil e no Mundo precisam acompanhar essa tendência, oferecendo mais recursos para essas pessoas se manterem. Nesse cenário, os residenciais sempre foram necessários. Cada vez mais, pessoas chegam com bastante idade em sua finitude e nem sempre é possível permanecer onde moravam com sua família, por questões de saúde. Vejo duas grandes mudanças no mundo de hoje, que aconteceram simultaneamente e fizeram a necessidade por residenciais ser ampliada.
A primeira é próprio envelhecimento. Viver mais não significa viver mais anos plenamente saudáveis. Ou seja, ficamos mais velhos, mas também dependentes por mais anos de algum tipo de assistência. Chega um momento em que a necessidade de cuidados mais específicos chega, e uma saída segura e acessível é o residencial. A segunda: a mulher ganhou espaço no mercado de trabalho, ela saiu de casa e em muitas sociedades, era costume a filha cuidar dos pais, ou a mulher da casa ficar como responsável de cuidar do mais velho da casa. Começou, então, uma procura maior das famílias por locais onde poderiam existir cuidados de enfermagem. Neste ponto ainda é possível enfatizar que as famílias estão menores, mas não sua estrutura central. Temos menos filhos para cuidar de seus pais e avós, que continuam em mesmo número.

Qual sua visão sobre o futuro dos residenciais? Como o Residencial Aurora se encaixa nessa nova realidade?

As exigências por um bom cuidado dentro dos residenciais vão aumentar cada vez mais, tanto para o residente, quanto para sua família. Dentro disso, acredito que o maior desafio não só para os residenciais, mas como para todos os segmentos em prestação de serviço, será investir em mão de obra qualificada. Por exemplo: hoje, uma máquina pode substituir uma, duas, infinitas pessoas no setor de produção, mas, é preciso pelo menos uma pessoa bem qualificada para operar essa máquina, conhecer do sistema, de contornar eventuais problemas. O que vivemos aqui é que encontrar essa pessoa qualificada está cada vez mais difícil. As evoluções na educação de base não estão conseguindo acompanhar a evolução tecnológica. Hoje um médico pode realizar uma cirurgia usando robótica, a qual seria impossível somente com mãos humanas. Mas, se esse mesmo médico não entender a linguagem do sistema e não tiver a habilidade manual para manipular, não será possível realizar a cirurgia. Procuramos no Aurora analisar a vontade em querer aprender e se desenvolver. Os avanços chegaram em certo nível nos cuidados e tentar qualificar a equipe é um desafio para o qual não poupamos esforços.

O que o Residencial Aurora faz que os outros residenciais não fazem?

Há uma preocupação (enfático) REAL em atender as necessidades dos idosos e da família. Nós deixamos aberta uma porta de comunicação com a família pelo WhatsApp e telefone, para suprir as requisições e necessidades deles (tanto as práticas como as emocionais) e, claro, orientar sobre o que é e não é saudável para os idosos. Sempre recebo feedback positivo sobre nossa forma de tratar os clientes. Isso não quer dizer que atendo completamente ao que solicitam (risos), mas tentamos demonstrar o que realmente importa no momento.

O que é o sucesso do Residencial Aurora para você?

É a percepção de ter prestado um bom serviço. É perceber que o semblante do idoso melhorou após a entrada. Ver que a comunicação e afeto do idoso com a família melhorou. O sucesso do Aurora está ligado à dedicação da gestão e dos profissionais para com a saúde física e emocional dos idosos e suas famílias.

Tem alguma pergunta que eu não fiz aqui que você gostaria de responder?

Sim. Sempre me perguntam: Nossa, você é tão jovem, o que levou a ir cuidar de Idosos? Idosos sempre apareceram em minha vida após minha formação. Brinco que sou um ímã para idosos, literalmente. Então entendi como uma vocação. Há dias ruins e de cansaço mental elevado, mas me sinto muito bem e realizado trabalhando com esse público.

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