Por Rubens Faria

Doar sangue, medula óssea e órgãos é um ato voluntário que pode ajudar a salvar muitas vidas. São atos seguros e todos os procedimentos são protocolados para garantir que sua doação seja aproveitada de forma ética e responsável.

Doação de sangue

Quando doamos sangue, fornecemos um produto essencial para a sobrevivência de um indivíduo. Em algumas situações, a transfusão é inevitável, sendo, portanto, essencial que haja sangue em estoque, o qual é conseguido exclusivamente por doação.

Várias são as situações em que uma pessoa necessita de sangue. Entre as situações mais conhecidas, podemos citar as cirurgias de grande porte, transfusão para pacientes com doenças crônicas, como a doença falciforme e após acidentes graves.

A doação de sangue é um gesto repleto de solidariedade, entretanto, ele não pode ser realizado por todas as pessoas, havendo alguns requisitos que devem ser obedecidos. De acordo com o Ministério da Saúde, são requisitos para doação de sangue:

  • Pessoas entre 16 e 69 anos. Menores de idade devem possuir autorização do responsável;
  • Pesar 50 kg ou mais;
  • Estar bem alimentado;
  • Se a doação for feita após o almoço, é necessário aguardar duas horas após a refeição;
  • Ter dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas;
  • Apresentar documento de identificação oficial.

Algumas pessoas possuem restrições que impedem a doação de sangue, portanto, é importante consultar a unidade onde será feita a doação. Segundo o Ministério da Saúde, existem alguns impedimentos que são temporários e outros que impedem definitivamente a doação. Veja, a seguir, quais são esses impedimentos:

  • Gripe, resfriado e febre: aguardar 7 dias após o desaparecimento dos sintomas;
  • Período gestacional;
  • Período pós-gravidez: 90 dias para parto normal e 180 dias para cesariana;
  • Amamentação: até 12 meses após o parto;
  • Ingestão de bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação;
  • Tatuagem e/ou piercing nos últimos 12 meses (piercing em cavidade oral ou região genital impedem a doação);
  • Extração dentária: 72 horas;
  • Apendicite, hérnia, amigdalectomia, varizes: 3 meses;
  • Colecistectomia, histerectomia, nefrectomia, redução de fraturas, politraumatismos sem sequelas graves, tireoidectomia, colectomia: 6 meses;
  • Transfusão de sangue: 1 ano;
  • Vacinação: o tempo de impedimento varia de acordo com o tipo de vacina;
  • Exames/ procedimentos com utilização de endoscópio nos últimos 6 meses;
  • Ter sido exposto a situações de risco acrescido para infecções sexualmente transmissíveis (aguardar 12 meses após a exposição);
  • Ter passado por um quadro de hepatite após os 11 anos de idade;
  • Ter contraído malária;
  • Evidência clínica ou laboratorial das seguintes doenças transmissíveis pelo sangue: hepatites B e C, AIDS (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II e doença de Chagas;
  • Uso de drogas ilícitas injetáveis.

O procedimento de doação de sangue é relativamente rápido. Desde o cadastro e triagem clínica até a coleta de sangue, o processo dura em média 40 minutos.

Doação de medula óssea

A medula óssea é um tecido líquido-gelatinoso que ocupa o interior dos ossos, sendo conhecido popularmente por “tutano”. Ela desempenha um papel fundamental no desenvolvimento das células sanguíneas, pois é lá que são produzidos os leucócitos (glóbulos brancos), as hemácias (glóbulos vermelhos) e as plaquetas.

Estes componentes do sangue são renovados continuamente e a medula óssea é quem se encarrega desta renovação. Ela mantém-se em atividade intensa e ininterrupta para produzir células sanguíneas e depende de abundante e contínuo suprimento de substâncias.

Algumas doenças podem alterar a arquitetura da medula óssea, prejudicando seu funcionamento, entre elas a leucemia, o linfoma e a anemia aplástica.

O transplante de medula óssea é um tipo de tratamento proposto para curar essas doenças que afetam as células do sangue. Consiste na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais da medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula saudável.

De acordo com o Ministério da Saúde, qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde poderá doar medula óssea. São os requisitos:

  • Se cadastrar como doador voluntário de medula óssea nos hemocentros localizados em todos os estados do país;
  • Os doadores preenchem um formulário com dados pessoais e é coletada uma amostra de sangue com 5ml para testes. Estes testes determinam as características genéticas que são necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente;
  • Em caso de compatibilidade com um paciente, o doador é então chamado para exames complementares e para realizar a doação.

Tudo seria muito simples e fácil, se não fosse o problema da compatibilidade entre as células do doador e do receptor. A chance de encontrar uma medula compatível é, em média, de uma em cem mil. Por isso, são organizados Registros de Doadores Voluntários de Medula Óssea, cuja função é cadastrar pessoas dispostas a doar. Quando um paciente necessita de transplante e não possui um doador na família, esse cadastro é consultado. Se for encontrado um doador compatível, ele será convidado a fazer a doação.

Para o doador, a doação será apenas um incômodo passageiro, pois a medula é recolhida por meio de punção e se regenera em apenas 15 dias. Para o doente, será a diferença entre a vida e a morte.

A doação de medula óssea é um gesto de solidariedade e de amor ao próximo.

Doação de órgãos

Muitas vezes, o transplante de órgãos pode ser a única esperança de vida ou a oportunidade de um recomeço para as pessoas que precisam. Doar órgãos é doar vida.

A legislação determina que a família é a responsável por essa decisão. Isto significa que a informação de doador ou não doador de órgãos, registrada no documento de identidade ou Carteira Nacional de Habilitação (CNH) não tem valor legal. Por isso, é importante a família saber a vontade do seu parente falecido.

O transplante é um procedimento cirúrgico que consiste na substituição de um órgão (coração, pulmão, rim, pâncreas, fígado) ou tecido (medula óssea, ossos, córneas) de uma pessoa doente por outro órgão ou tecido saudável de um doador vivo ou falecido.

A pessoa maior de idade e capaz juridicamente pode doar órgãos a seus familiares. No caso de doador vivo não aparentado é exigida autorização judicial prévia. O médico deverá avaliar a história clínica da pessoa e as doenças prévias. A compatibilidade sanguínea é primordial em todos os casos. Há também testes especiais para selecionar o doador que apresenta maior chance de sucesso.

Após o falecimento, todas as pessoas podem ser doadoras de órgãos, observando algumas exceções, como pacientes com diagnóstico de tumores malignos, doença infecciosa grave aguda ou doenças infectocontagiosas – destacando-se o HIV, as hepatites B e C e a doença de Chagas. Também não podem ser doadores os diagnosticados com insuficiência de múltiplos órgãos, situação que acomete coração, pulmões, fígado, rins, impossibilitando a doação desses órgãos.

Após efetivada a doação, a Central de Transplantes do Estado é comunicada e, por meio do seu registro de lista de espera, seleciona seus receptores mais compatíveis.

A lista de espera é um sistema que busca organizar os potenciais receptores por prioridade clínica, priorizando os indivíduos mais graves e mais compatíveis com o órgão a ser doado.

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