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Doenças do coração matam quase um terço dos brasileiros; estilo de vida é um dos fatores de risco
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Alzheimer precoce: os sintomas de versão da doença que pode aparecer a partir dos 30 anos
Alzheimer precoce: os sintomas de versão da doença que pode aparecer a partir dos 30 anos
A doença de Alzheimer é frequentemente considerada uma condição que afeta apenas idosos. Mas cerca de 3,9 milhões de pessoas em todo o mundo com idades entre 30 e 64 anos vivem com a doença de Alzheimer de início precoce — uma forma de demência na qual os sintomas aparecem antes dos 65 anos.
A jornalista e radialista inglesa Fiona Phillips, de 62 anos, revelou recentemente que foi diagnosticada com a doença.
Durante uma entrevista, Phillips compartilhou que os principais sintomas que ela experimentou antes do diagnóstico foram nevoeiro mental e ansiedade . Ela também destacou o quão diferente os sintomas podem ser entre o Alzheimer precoce e tardio.
Primeiro, os sintomas começam muito mais cedo — aos 30 anos em alguns casos raros, embora o quadro seja tipicamente diagnosticado entre os 50 e os 64 anos.
E, enquanto as pessoas com Alzheimer geralmente experimentam perda de memória como o primeiro sinal da doença, indivíduos com a demência precoce tendem a apresentar outros sintomas — como dificuldade de atenção, menor capacidade de imitar gestos das mãos e piora da consciência espacial.
Algumas pessoas com Alzheimer de início precoce também podem sofrer um aumento da ansiedade antes do diagnóstico. Isso pode ser devido a uma consciência das mudanças que estão ocorrendo, sem uma razão clara de por que eles estão se sentindo diferentes.
Elas podem pensar que essas alterações de comportamento são temporárias, o que atrasa a avaliação médica. Os profissionais de saúde também podem interpretar mal o nervosismo exacerbado como um sinal de outras condições de saúde.
Embora possam ter menos comprometimento cognitivo no momento do diagnóstico, estudos indicaram que aqueles que vivem com a doença de Alzheimer de início precoce apresentam mudanças mais rápidas no cérebro. Isso indica que a condição pode ser mais agressiva do que a doença de Alzheimer de início tardio. Isso também explicaria por que as pessoas com a demência precoce tendem a ter uma expectativa de vida cerca de dois anos menor do que aquelas com o início tardio.
Pesquisas mostram que as pessoas com Alzheimer de início precoce também estão mais conscientes das mudanças na atividade cerebral. Isso pode levar a alterações comportamentais — com o aparecimento de condições como a depressão nesse grupo.
Dentro do próprio cérebro, a doença de Alzheimer de início precoce causa alterações químicas semelhantes às do Alzheimer tardio. Mas as áreas do cérebro afetadas por essas mudanças químicas podem ser diferentes.
Uma pesquisa concluiu que as áreas do cérebro envolvidas no processamento de informações sensoriais e relacionadas ao movimento (chamadas de córtex parietal) mostram maiores sinais de danos no quadro precoce.
Há também menos danos ao hipocampo em comparação com a doença de Alzheimer de início tardio — uma área da massa cinzenta importante no aprendizado e na memória.
Por que isso acontece?
Os fatores de risco para a doença de Alzheimer de início precoce são semelhantes aos de início tardio.
Por exemplo, baixos níveis de condicionamento cardiovascular e menor capacidade cognitiva no início da idade adulta foram associados a um risco oito vezes maior de desenvolver Alzheimer precoce. No entanto, ainda não entendemos completamente todos os fatores que influenciam as chances de uma pessoa ter a doença.
Um aspecto em que os especialistas concordam é que a genética desempenha um papel em cerca de um em cada dez casos de doença de Alzheimer de início precoce. Até agora, três genes (APP, PSEN1 e PSEN2) foram associados à enfermidade.
Esses genes estão todos relacionados a uma proteína tóxica que se acredita contribuir para a doença de Alzheimer (conhecida como beta-amilóide). Quando esses genes se tornam defeituosos, há um acúmulo de beta-amilóide, que está ligado ao aparecimento dos sintomas.
Evidências crescentes sugerem que também pode haver uma ligação entre uma lesão cerebral traumática e doença de Alzheimer de início precoce.
O que as pessoas podem fazer
No Reino Unido, as pessoas diagnosticadas com doença de Alzheimer de início precoce podem receber medicamentos prescritos que ajudam a controlar os sintomas.
Já nos Estados Unidos foram aprovadas duas terapias que podem retardar a progressão dos sintomas. No entanto, elas foram testadas apenas em pessoas com doença de Alzheimer de início tardio — por isso ainda é incerto se eles terão um efeito nesse outro quadro.
As pessoas que têm histórico familiar de demência ou estão preocupadas com o risco podem fazer um teste genético por meio de uma empresa privada. Isso confirmará a presença dos genes relacionados ao problema. Esses testes podem ser realizados para aqueles que já apresentam sintomas ou para indivíduos com histórico familiar que desejam conhecer seu prognóstico futuro.
Embora não seja possível modificar a genética se você estiver em maior risco, algumas pesquisas apoiam a ideia de que você pode fortalecer o cérebro contra a doença por meio de um estilo de vida mais saudável.
Um estudo descobriu que, quando pessoas geneticamente predispostas ao Alzheimer de início precoce se exercitavam por mais de duas horas e meia por semana, elas pontuavam melhor em testes de memória do que aquelas que não eram fisicamente ativas.
Além de ser mais ativo, as escolhas alimentares também podem reduzir o risco de Alzheimer de início jovem. Um estudo italiano revelou que pessoas que consumiam altos níveis de vegetais, frutas secas e chocolate apresentavam menor risco.
Fonte: BBC Ler mais
Tem mais de 60 anos? Conheça o calendário de vacinação para essa faixa etária
Tem mais de 60 anos? Conheça o calendário de vacinação para essa faixa etária
Quando o assunto é calendário vacinal, automaticamente pensamos nos imunizantes oferecidos na infância – como se, depois dessa etapa da vida, só fosse necessário ficar de olho na aplicação anual da vacina contra a gripe e a covid-19. Mas a verdade é que existe um esquema de imunização específico para outras etapas da vida.
Quem passou dos 60 anos, por exemplo, tem vacinas importantes para tomar. Mas, segundo a médica Aline Tavares, da Sociedade Brasileira Geriatria Gerontologia (SBGG), muitas famílias não fazem ideia disso.
A percepção é compartilhada pelo médico Juarez Cunha, presidente da Comissão de Revisão de Calendários Vacinais da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). “Culturalmente, a população tem a ideia de que as vacinas são só para crianças. Até porque é realmente uma fase em que elas são mais aplicadas”, diz. “Mas temos imunizantes para todas as faixas etárias. Infelizmente, se já vemos uma baixa cobertura vacinal na infância, em outras idades isso é menor ainda, sobretudo por causa de desconhecimento”, avalia.
Ainda de acordo com o médico, todas essas vacinas têm motivo para serem recomendadas para além da infância. Ou seja, dependendo do momento da vida, há risco especial de encarar determinadas doenças preveníveis por imunizantes.
As vacinas indicadas para quem tem 60+
Pneumocócicas (VPC13 e VPP23):
O esquema vacinal protege contra diferentes tipos da bactéria pneumococo, que, segundo informações da SBIm, é responsável por infecções nos pulmões e ouvidos e também por meningite. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a pneumonia pneumocócica é uma das principais causas de internações e morte entre indivíduos que passaram dos 60 anos.
Entre as vacinas indicadas, estão a VPC13, que atua contra 13 sorotipos da bactéria, e a VPP23, que mira em 23 sorotipos. Enquanto a primeira proporciona uma proteção mais prolongada, a segunda precisaria de reforço. Por isso, para um maior benefício o conselho é tomar ambas.
A SBIm indica começar com uma dose da VPC13. Depois de seis a 12 meses, recomenda-se tomar uma dose da VPP23. Em cinco anos, deve-se buscar a segunda dose de VPP23.
Aline lembra que é comum observar uma maior incidência de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e asma, na população idosa. Ao contrair a pneumococo, esses quadros podem ficar descompensados. Mais um motivo para ir atrás desses imunizantes.
Onde encontrar: A VPC13 é oferecida gratuitamente pelo SUS. Já a VPP23 só é oferecida gratuitamente a idosos asilados ou que façam parte de grupos de risco. Ambas estão nas clínicas particulares.
Herpes-zoster
O representante da SBIm informa que essa vacina é sugerida a partir dos 50 anos de idade. Ela protege contra o herpes-zóster, quadro causado por uma reativação do vírus da catapora. “A maioria das pessoas teve catapora na infância e, depois disso, o vírus fica adormecido no sistema nervoso”, explica Cunha. Ele tende a voltar à ativa quando algo prejudica a imunidade do indivíduo – situação mais comum após os 60 anos.
Segundo a SBIm, após essa reativação, o vírus da catapora se desloca pelos nervos periféricos até alcançar a pele. Daí porque o principal sintoma do herpes-zóster são erupções na pele em forma de vesículas. Essas lesões são conhecidas por provocar dor intensa. Em alguns casos, ela pode durar meses e se tornar crônica.
Onde encontrar: Em clínicas privadas. Essa vacina não está disponível no SUS.
Tríplice bacteriana acelular (dTpa) / dupla adulto (dT)
São duas vacinas diferentes. A primeira protege contra difteria, tétano e coqueluche. A segunda foca na difteria e no tétano. Para quem tem o esquema vacinal básico completo com a dT, oferecido na infância, a dTpa é indicada como reforço em adultos e idosos. Segundo Cunha, se o idoso estiver com o esquema incompleto ou não souber do histórico, aí a indicação é a seguinte: uma dose de dTpa a qualquer momento e completar com duas doses de dT.
A médica da SBGG ressalta a relevância desses imunizantes para a população idosa. “A gente vê muitos acidentes domésticos com materiais perfurocortantes, e eles podem estar enferrujados”, comenta, referindo-se ao risco de tétano. Já a difteria, causada por bactéria que afeta as vias aéreas respiratórias, pode levar a complicações, como problemas neurológicos e cardiovasculares. A coqueluche também é uma infecção respiratória. “Mesmo que a pessoa tenha apresentado a doença na infância, precisa se vacinar a cada 10 anos”, informa Aline.
Onde encontrar: a dT está disponível gratuitamente no SUS. Já a dTpa é encontrada em clínicas privadas.
Hepatite B
Desde 2013 é prescrita para todas as idades, e deve ser aplicada em três doses. De acordo com dados atuais apresentados pelo Ministério da Saúde, entre 1 milhão de pessoas que devem viver com a doença viral no país, somente 264 mil (24%) foram diagnosticadas. Entre as formas de transmissão da hepatite B, estão: relações sexuais sem uso de camisinha com pessoas infectadas e compartilhamento de objetos perfurocortantes, como alicates de unha. O grande perigo associado à doença é que ela pode atingir o fígado, resultando em cirrose e até câncer.
Onde encontrar: a vacina é oferecida pelo SUS.
As vacinas para situações especiais
As vacinas a seguir são indicadas em situações muito específicas como em casos de viagens para locais de risco, surtos ou comportamentos de risco. O médico deve avaliar a necessidade de tomá-las:
Hepatite A
Febre amarela
Meningocócicas conjugadas ACWY ou C
Tríplice viral
Fonte: CNN Ler mais
Como fazer e manter amizades na velhice
Como fazer e manter amizades na velhice
Por Rubens Faria
Caso você sinta que fazer amigos depois de adulto não é fácil, acertou. “Quando criança, temos recreio e aula de educação física. Podemos baixar a guarda”, diz Marisa G. Franco, professora e autora de “Como fazer e manter amigos para sempre: Guia prático para se relacionar com todos ao seu redor” (Universo dos Livros; 2022).
Segundo os sociólogos, essas interações repetidas e não planejadas e as oportunidades de vulnerabilidade são necessárias para criar laços de amizade. Com o trabalho remoto, essas opções são cada vez menos numerosas. Uma pesquisa feita em 2021 pelo American Enterprise Institute constatou que o número de adultos que dizem não ter amigos íntimos quadruplicou desde 1990, passando de 3% a 12%. “Nunca estivemos tão desconectados”, diz a psicóloga e escritora canadense Jody Carrington. “E o maior previsor de bem-estar geral não é o que você bebe, fuma ou come. É o engajamento social”.
No Brasil, uma pesquisa do Instituto Locomotiva mostrou que um a cada quatro brasileiro se sente solitário. Outra pesquisa, da psicóloga Julianne Holt-Lunstad, da Universidade Brigham Young, mostrou que a solidão é uma grande ameaça à longevidade, ao lado de fumar 15 cigarros por dia ou ser alcoólatra. Pessoas solitárias ou socialmente isoladas correm risco maior de depressão, demência, morte cardíaca e enfraquecimento da função imune.
Por outro lado, as amizades saudáveis nos ajudam a envelhecer melhor, lidar com o estresse e ter uma vida mais longa e feliz. Além disso, a felicidade é contagiosa. Pesquisadores de Harvard constataram que, quando um indivíduo fica feliz, os amigos que moram num raio de 1,5 quilômetro têm 25% mais probabilidade de ficarem felizes também.
Os pesquisadores concluíram: “A felicidade se estende até três graus de separação; por exemplo, aos amigos dos amigos de alguém.”
Veja aqui oito dicas de especialistas em relacionamentos para fazer e aprofundar amizades.
Não confie apenas na sorte
As amizades não acontecem simplesmente e, se acontecerem, podem não ser sustentáveis. Um estudo publicado na revista Journal of Social and Personal Relationships constatou que a crença de que as amizades se baseiam em fatores externos ou incontroláveis – a sorte, basicamente – permitia prever mais solidão cinco anos depois.
Seja otimista
Num estudo de 2022, pesquisadores da Universidade de Pittsburgh verificaram que quem recebeu uma comunicação inesperada – um bilhete, um presentinho – apreciou mais o gesto do que o remetente previa. Além disso, costumamos subestimar até que ponto as pessoas gostam de nós. Se supusermos que vão gostar de nós, seremos mais calorosos, amistosos e abertos.
Faça uma lista
Escreva o nome de três a cinco pessoas que você já conhece, mas de quem gostaria de se aproximar mais. Envie a elas uma mensagem, um convite para um café, um artigo (ou um meme) que fez você pensar nelas.
Tenha vários amigos
Não se limite a um só amigo íntimo. Ninguém lhe dá tudo de que você precisa. Realmente, um estudo da Universidade do Norte do Illinois, feito em 2020 com mulheres de meia-idade, constatou que as que tinham três a cinco amigas íntimas mostravam um nível mais alto de satisfação geral com a vida.
Espere o constrangimento
O constrangimento não é uma boa razão para evitar relacionamentos novos, ele é uma parte normal de conhecer alguém. Por exemplo, quando vamos à academia e começamos a suar, não entramos em pânico, pensando que isso será ruim para nós. Gillian Sandstrom, psicóloga da Universidade de Sussex, na Inglaterra, pesquisa o efeito de falar com desconhecidos e mostra o outro lado: “A outra pessoa também não quer uma conversa constrangedora”.
Invista tempo
Fazer um amigo íntimo exige tempo, em geral passar mais de 200 horas juntos, no decorrer de várias semanas, segundo um estudo da Universidade do Kansas feito em 2018. Tanto a quantidade quanto a repetição são importantes. Por isso, sugerimos que as pessoas façam um curso ou sejam voluntárias. As atividades repetidas embutem o horário para conhecer os outros.
Aceite a vulnerabilidade
A vulnerabilidade é a pedra angular de qualquer relacionamento saudável. É quando nos sentimos vistos e conhecidos. Para ir mais fundo, faça perguntas do tipo “positivo -negativo”: “qual foi o melhor momento e o mais estressante da semana”. Assim, você reconhece que não há problema se nem tudo foi ótimo.
Prática
“Depois da pandemia, muita gente esqueceu como se socializa”, diz Franco. “A habilidade social é como um músculo e pode ser exercitada”. Num estudo de 2022, os participantes tiveram de falar com desconhecidos todo dia por uma semana. “No fim, as pessoas ficaram mais confiantes para manter a conversa”,diz Gillian. Ler mais
Como se manter saudável em viagens
Para os idosos, as viagens podem ser difíceis e estressantes e há um enorme potencial de complicações médicas, principalmente para quem já tem problemas de saúde. No entanto, elas também podem ser muito empolgantes e enriquecedoras. Precisamos continuar viajando enquanto pudermos – passar algum tempo em outros lugares com pessoas de outras culturas traz valor e interesse à vida.
Contudo, o segredo para tudo dar certo durante as viagens é a preparação. Conheça as providências a tomar para apreciar as férias com o mínimo de estresse. Ler mais
Férias de julho: dicas de passeios para avós e netos
Por: Flávia Sphair Edição: Rubens Faria Diga pra mim: qual neto não gosta de ir na casa do avô e da avó? Na casa deles pode tudo (quase tudo, pra casa continuar em pé): brincar, comer doce, fazer bagunça. Os avós são mesmo incríveis. Atualmente, os avós modernos, além de serem tão receptivos em seu… Ler mais
10 exercícios fáceis – baseados na ciência – para melhorar a mobilidade e a saúde
1. Para mais equilíbrio, ande na linha Como: Andar na linha lembra o teste de sobriedade usado pelos policiais. Ponha o calcanhar de um dos pés à frente do outro, encostando-o nos dedos. Comece a andar em linha reta dessa maneira: os dedos de um pé tocando o calcanhar do outro, como se estivesse na… Ler mais
O diagnóstico tardio do Transtorno do Espectro Autista – um desafio para pessoas idosas
O autismo, atualmente chamado de Transtorno do Espectro #Autista (TEA), era antes associado à infância. Hoje, com o avanço das pesquisas sobre a condição e o desenvolvimento das habilidades diagnósticas, está se tornando cada vez mais comum que pessoas idosas descubram que convivem com o transtorno desde sempre.
Saiba quais são os sinais que você deve ficar atento para reconhecer se uma pessoa convive com o TEA e quais as recomendações de tratamento. Ler mais
Como funcionam as vacinas bivalentes contra a Covid-19 aplicadas no Brasil
Como funcionam as vacinas bivalentes contra a Covid-19 aplicadas no Brasil
Por Lucas Rocha
Edição de Rubens Faria
As vacinas bivalentes contra a Covid-19 começaram a ser aplicadas no país em fevereiro. Pelo menos cinco capitais já começaram a aplicar as doses atualizadas: Manaus (AM), João Pessoa (PB), Recife (PE), Campo Grande (MS) e Vitória (ES). Outras 18 capitais dão início à imunização com o reforço bivalente.
Na primeira etapa, a campanha de imunização será voltada para públicos prioritários como estratégia de reforço.
As vacinas bivalentes contam com cepas atualizadas contra o coronavírus, incluindo a proteção contra a variante Ômicron. Os imunizantes foram aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em novembro de 2022. Os primeiros lotes de vacinas bivalentes chegaram ao país em dezembro.
São dois tipos de vacinas diferentes:
Bivalente BA.1 – protege contra a variante original e também contra a variante Ômicron BA1;
Bivalente BA.4/BA.5 – protege contra a variante original e também contra a variante Ômicron BA.4/BA.5.
Como funcionam as vacinas bivalentes
As vacinas bivalentes são identificadas por tampa na cor cinza. Cada frasco possui seis doses e a vacina não deve ser diluída. O uso é indicado para a população a partir de 12 anos de idade como vacinação de reforço.
A Anvisa aponta que as doses devem ser aplicadas a partir de três meses após a série primária de vacina ou reforço anterior. As doses têm prazo de validade de 12 meses, quando estocadas de -80°C a -60°C ou de -90°C a -60°C. Além disso, podem ser armazenadas em geladeira, entre 2°C e 8°C, por um único período de até dez semanas, não excedendo a data de validade original.
A vacina da Pfizer bivalente BA.1 está aprovada em pelo menos 35 países. Já a versão bivalente BA.4/BA.5 está aprovada em 33 países, como Canadá, Japão, Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Singapura, entre outros, além da União Europeia.
Na reunião da Anvisa que definiu a aprovação, a diretora relatora Meiruze Freitas explicou que o objetivo do reforço com a vacina bivalente é expandir a resposta imune específica à variante Ômicron e melhorar a proteção da população.
“Entretanto, as pessoas, principalmente os grupos de maior risco, não devem atrasar sua vacinação de dose de reforço já planejada para esperar o acesso à vacina bivalente, pois todas as vacinas de reforço aprovadas ajudam a melhorar a proteção contra casos graves e morte por Covid-19”, afirmou a diretora da Anvisa.
Segundo a Pfizer, a finalidade do reforço com a vacina bivalente de RNA mensageiro (mRNA) é conferir uma maior proteção frente às variantes Ômicron, consideradas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como variantes de preocupação, quando comparada à sua versão monovalente atualmente registrada no país.
Ampla resposta imunológica
O reforço com a vacina bivalente da Pfizer contra a Covid-19, que também contempla as sublinhagens BA.4 e BA.5 da Ômicron, apresenta resposta imune significativamente superior em comparação com a vacinação com o imunizante original da farmacêutica. As informações foram divulgadas pela Pfizer em novembro.
Segundo o comunicado, dados atualizados de um ensaio clínico de fases 2 e 3 demonstraram uma resposta imune neutralizante robusta um mês após uma dose de reforço da vacina bivalente. A imunidade gerada foi acompanhada de um perfil de segurança e tolerabilidade semelhante entre as duas vacinas.
O desenvolvimento de vacinas atualizadas busca contemplar as mutações sofridas pelo coronavírus ao longo da pandemia. A primeira geração de vacinas foi desenvolvida a partir da cepa original do vírus, que circulou no início da pandemia, em 2020.
“Esses resultados reforçam os dados clínicos iniciais relatados anteriormente medidos 7 dias após uma dose de reforço da vacina bivalente, bem como os dados pré-clínicos, e sugerem que uma dose de reforço de 30 µg da vacina bivalente adaptada pode induzir um nível mais alto de proteção contra as sublinhagens BA.4 e BA.5 da Ômicron do que a vacina original”, diz o comunicado.
“À medida que nos aproximamos da temporada de festas de fim de ano, esperamos que esses dados atualizados incentivem as pessoas a procurar um reforço bivalente da Covid-19 assim que forem elegíveis, a fim de manter altos níveis de proteção contra as sublinhagens BA.4 e BA.5 da Ômicron amplamente circulantes”, disse Albert Bourla, presidente e CEO da Pfizer.
“Esses dados atualizados também fornecem confiança na adaptabilidade de nossa plataforma de mRNA e nossa capacidade de atualizar rapidamente a vacina para corresponder às cepas mais prevalentes a cada temporada”, completa.
Para as análises, as amostras de soro foram coletadas antes e um mês após a administração de uma dose de reforço de 30 µg (quarta dose) da vacina bivalente adaptada.
Um subconjunto de indivíduos, uniformemente estratificado entre aqueles que tinham evidência de infecção prévia pelo SARS-CoV-2 e aqueles que não tinham, foi selecionado para idades de 18 a 55 anos e acima de 55 anos. Para comparação, foi selecionado aleatoriamente um grupo de participantes com mais de 55 anos que receberam uma dose de reforço da vacina original em estudos anteriores.
Os participantes que receberam a vacina bivalente tiveram sua dose de reforço anterior aproximadamente 10 a 11 meses antes, enquanto aqueles que receberam a vacina original tiveram sua dose de reforço anterior aproximadamente 7 meses antes. Apesar dessa diferença, os títulos de anticorpos pré-reforço foram semelhantes para ambos, segundo a Pfizer.
Entre a população geral do estudo que recebeu a vacina bivalente adaptada, houve um aumento substancialmente maior nos títulos de anticorpos neutralizantes contra as sublinhagens Ômicron em comparação com os níveis pré-reforço. Por outro lado, os participantes com mais de 55 anos de idade que receberam uma dose de reforço da vacina original tiveram uma resposta de anticorpos neutralizantes mais baixa contra as sublinhagens BA.4 e BA.5, medida um mês após o reforço.
Importância das vacinas monovalentes
O surgimento de variantes do coronavírus levou à redução da eficácia das vacinas monovalentes contra infecções sintomáticas, mas essas vacinas ainda mantêm a efetividade contra a doença na forma grave e óbitos, desde que sejam tomadas as doses conforme a recomendação do Ministério da Saúde.
Os estudos de acompanhamento das vacinas indicam que as doses de reforço de vacinas monovalentes restauraram uma proteção contra desfechos graves associados à Ômicron.
Essa proteção diminuiu ao longo do tempo com algumas diferenças relacionadas à idade, e particularmente durante um período de predominância da subvariante BA.4/BA.5.
Fonte: CNN Ler mais
