Por Rubens Faria 

Em comemoração ao Dia do Oficial da Farmácia, profissional responsável pelo cumprimentos das regras sanitárias em farmácias e drogarias, vamos abordar dois temas que os farmacêuticos conhecem bem, a polifarmácia e a automedicação.

Automedicação

Fazer uso de medicação por conta própria é um problema de saúde pública no mundo. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-farmacológicas (Sintox), em 2016, os medicamentos foram responsáveis por uma em cada três notificações de intoxicação no Brasil e, dessas, 3% são casos de automedicação. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a automedicação um dos cinco tipos de Uso Irracional de Medicamentos.

Como diz o ditado, a diferença entre o remédio e o veneno está na porção – em quantidades erradas, a mesma substância pode ser inócua ou matar. Até mesmo os analgésicos, o tipo de medicação mais vendido no Brasil, não são tão inofensivos como se pensa: podem causar dependência e lesões hepáticas, dependendo da quantidade e do tempo de uso.

Mais do que os riscos de se ingerir uma medicação isoladamente, há perigo também no uso concomitante com outras substâncias, pois cada uma delas pode trazer reações adversas e, juntas, causar males ou anular os efeitos uma das outras. 

Polifarmácia

E por falar em uso concomitante de medicamentos, a polifarmácia é, segundo a OMS, o uso rotineiro de quatro ou mais medicamentos simultâneos por um paciente, sejam eles prescritos, isentos de prescrição ou outros medicamentos tradicionais. As pessoas idosas são as que mais fazem uso da polifarmácia pela necessidade de medicamentos para doenças crônicas, ou seja, medicamentos que precisam de regularidade.

Os avanços da medicina afetaram nossa expectativa de vida e pessoas longevas tendem a desenvolver mais doenças crônicas. Logo, a utilização de vários medicamentos em conjunto para tratar diferentes condições de saúde precisa de atenção.

Segundo o Instituto para Práticas Seguras no Uso de Medicamentos, o ISMP, “a polifarmácia é necessária para que todas as condições clínicas do paciente recebam tratamento adequado”. Contudo, ainda segundo o ISMP, seu potencial de causar danos faz com que seja necessário o envolvimento multidisciplinar de profissionais da saúde e o apoio da família do paciente para prevenir possíveis erros associados à polifarmácia.

É nesse momento que entra o profissional farmacêutico. Ele é o responsável por conferir, na prescrição do médico, se existe algum risco de interação medicamentosa entre os remédios receitados, se a posologia (dosagem terapêutica) e o tempo do tratamento irão influenciar o efeito desses remédios e, no caso de algum conflito, sugerir tratamentos alternativos.

É o farmacêutico também quem irá instruir o paciente sobre a dosagem, horários e tempo de duração do tratamento. Pode parecer simples tomar uma dipirona de seis em seis horas, mas multiplique por quatro as posologias e pode ser que surjam dúvidas, desatenção ou esquecimento ao longo do processo.

Por exemplo, na prescrição, podem haver remédios que só podem ser tomados em jejum e outros que precisam ser tomados logo após o café da manhã. Há outros que em nenhuma hipótese podem ser ingeridos juntos a outro medicamento, ou mesmo com pouca água. Alie tudo isso ao fato de que pessoas idosas geralmente não usam lembretes dos smartphones para serem avisadas do horário de tomar a medicação e pronto, você já tem um cenário propício para que algo saia errado. Por isso é tão importante o envolvimento da família no acompanhamento do tratamento, para ter certeza – ou chegar o mais próximo – que ele seja seguido à risca.

Segundo estatísticas da OMS, cerca de 50% dos medicamentos receitados são supérfluos. Por isso, revise sua prescrição com o médico e com o farmacêutico a cada novo exame apresentado, e cheque se não é possível suspender ou substituir alguma medicação. Por fim, busque sempre uma segunda opinião.

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