Por Rubens Faria

Um estudo realizado no Brasil pela empresa de pesquisa CVA Solutions afirma que a felicidade é fator importante para manutenção da saúde e prevenção de doenças. Segundo o trabalho, 67% das pessoas que se consideram muito felizes têm saúde boa ou excelente.

Dos participantes que se consideram felizes, metade pratica atividade física três vezes na semana, 40% tem índice de massa corpórea (IMC) normal e 64% visitam o médico regularmente.

O que levanta suspeita sobre a relação proposta pelo estudo – felicidade e saúde são relacionadas -, são os dados sobre doenças crônicas, sexo e idade. 73% dos entrevistados felizes não têm doenças crônicas – uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde revela que 72% dos brasileiros não sofre de doenças crônicas, independente do estado emocional. Os resultados também apontam que homens são mais felizes – em uma sociedade que acumula desigualdade de gênero nos espaços políticos, acadêmicos, científicos, no mercado de trabalho e na religião, homens são mais privilegiados. Por fim, a pesquisa afirma que, entre as pessoas acima dos 56 anos, saúde e felicidade estão conectadas: 50,5% e 36,6%, respectivamente. Já entre os jovens, a saúde é mais predominante (42,1%) do que a satisfação com a vida (30,9%).

Uma questão importante ficou de fora: o que veio primeiro, a felicidade ou a saúde? Isso porquê, de acordo com o estudo, pessoas que se afirmam mais felizes procuram por mais hábitos saudáveis e fazem mais acompanhamento preventivo de saúde. E um corpo mais saudável e com maior expectativa de vida traz menos preocupação e, com isso, mais espaço para positividade, satisfação e autoestima, principalmente entre as pessoas idosas. E essa relação tem uma explicação fisiológica.

Práticas que nos trazem bem-estar, como atividades físicas, autocuidado, concluir metas, dormir bem, meditação, tomar banho de sol, comer, ter relações sexuais etc., produzem neurotransmissores que balanceiam o humor, disposição e até felicidade. São eles serotonina, endorfina, dopamina e a ocitocina. E todas essas práticas, por outro lado, trazem mais saúde ao corpo, pois estão diretamente ligadas ao funcionamento de sistemas essenciais para a vida, como o sistema nervoso central, o cardiovascular e o imunológico.

Contudo, não é possível ser feliz o tempo todo. De acordo com o psicólogo Guilherme Matos, buscar a felicidade a qualquer custo pode ser frustrante. “Buscar a felicidade como meio final pode gerar uma carga muito grande em você. Buscar qualidade de vida e saúde são excelentes meios de se alcançar felicidade, quando o corpo está bem torna-se mais fácil para que a mente também fique bem”. Ilustrando a fala de Guilherme, a felicidade seriam as flores de um caminho trilhado com autoconhecimento. Saber de suas limitações e validar seus sentimentos, não somente a felicidade, também nos traz satisfação.

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