Violência contra a pessoa idosa em tempos pandêmicos

Por Alexandre Alcântara, promotor de justiça/ Edição de Rubens Faria

Em 15 de junho, celebramos o Dia Mundial de Conscientização da Violência à Pessoa Idosa. Neste momento histórico, a data merece especial reflexão a partir das consequências decorrentes da pandemia de Covid-19; a ciência demonstra que os idosos são mais vulneráveis ao vírus e as estimativas da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) apontam que 75% dos óbitos no país são desse grupo populacional.

Além da alta taxa de mortalidade, o distanciamento social como método contra o contágio e disseminação do vírus causa mudanças na rotina de milhões de pessoas idosas, provocando solidão, estresse, tensão, ansiedade, frustração e medo da morte.

Estudos da economista e pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ana Amélia Camarano, apontam que a pandemia ainda provocará uma queda de 2,2 anos na expectativa de vida dos brasileiros e poderá alterar drasticamente a renda das famílias; segundo a pesquisadora, em 20,6% dos lares brasileiros, a renda dos idosos responde por mais de 50% dos rendimentos da família.

Ainda nesse cenários, temos os dados do Disque-100, que registraram 87.907 casos de violências contra pessoas idosas no primeiro ano de pandemia, um crescimento de 81% em relação a 2019 (48.446). São expressões da violência: negligência, abandono e violências física, psicológica e financeira.

É urgente, portanto, que o Estado brasileiro ofereça políticas públicas que atendam às demandas dessa população. Por mais grave que sejam as violências vivenciadas no âmbito familiar, a violência institucional – como a verificada na incompetente gestão da pandemia pelo Governo Federal – vulnerabiliza sociedades inteiras. 

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