Por Ewerton Dias, Jackson dos Reis
Edição de Rubens Faria

O contexto de uma sociedade é inexoravelmente o resultado de sua população, sendo a distribuição dos estratos etários um dos principais fatores que afeta a dinâmica de seu desenvolvimento, impactando diretamente em todos os aspectos da vida. Somos produtos do meio e resultado do meio ao mesmo tempo. Assim, o envelhecimento da população produz efeitos em toda a sociedade, representando desafios significativos em todas as áreas, mais proeminentemente, na área da saúde (OMS, 2018).

Na tentativa de confrontar os inúmeros desafios enfrentados na velhice, atualmente os países têm se esforçado na criação e desenvolvimento de legislações, políticas e programas com o intuito de otimizar a qualidade de vida da população idosa. Acredita-se ainda na importância de uma busca pela concretização dos sistemas de proteção social, como forma de garantir seus direitos humanos.

O impacto na saúde e seus desafios são concentrados nas causas do aumento da prevalência de fatores intrínsecos relacionados à morbidade e à mortalidade. Acrescente a demanda em saúde em relação ao acesso e a estrutura para esse contingente cada vez maior. No entanto, outros aspectos tão relevantes quanto não são tão abordados, como por exemplo a insuficiência familiar (SOUZA, et al. 2015).

A Insuficiência Familiar é uma realidade que possui muitas facetas, interagindo de formas e intensidades diferentes na condição do idoso, e quando presente pode levar a institucionalização e ao abandono, agravando quadros de morbimortalidade nessa faixa etária como é o caso do aumento da prevalência de depressão e angústia. Ela é fundada especialmente no baixo apoio social da pessoa idosa e no vínculo familiar prejudicado.

Todo cidadão tem direito ao envelhecimento, e a garantia deste direito é um dever compartilhado entre a família, o Estado e a sociedade. E para que o idoso chegue à velhice de forma plena e com um número reduzido de problemas psicossociais e físicos, é necessário um planejamento antecipado e cuidados primários no decorrer da vida. Assim sendo, a família apresenta um papel fundamental neste percurso, visto que um círculo familiar saudável é de extrema importância para a preservação da saúde, por reduzir fatores de estresse, depressão, angústia e perda de estabilidade emocional.

O conceito em si de Insuficiência Familiar na literatura ainda é recente, mas os estudos que abordam partes da complexidade desse conceito já somam mais de duas décadas. Estudos sobre o apoio social, econômico, impacto dos diferentes graus de proximidade familiar e qualidade da interação familiar mostram que ainda estamos muito longe de compreender essa realidade.

Aspectos como vulnerabilidade social, declínio da saúde psicológica, declínio funcional, qualidade de vida e qualidade do envelhecimento em estudos dirigidos ainda são escassos. Neste sentido, encontramos no país uma Instituição que há décadas vem compreendendo o processo da Insuficiência Familiar e propondo mecanismo de estudo e pesquisa do tema dentro das Obras Sociais Irmã Dulce no Centro Geriátrico Júlia Magalhães, atrelado às residências de Geriatria e Gerontologia e Saúde do Idoso, criada em 1986, em busca de uma assistência integral ao público idoso, com estímulo à cidadania, socialização e qualidade de vida.

A Instituição foi eleita uma das 100 Melhores ONGs do Brasil em 2019, por buscar atender de forma humanizada crianças e adolescentes, idosos, pessoas com deficiência e em situação de rua.

Fonte: Portal do Envelhecimento e Longeviver

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