Como fazer e manter amizades na velhice 

Como fazer e manter amizades na velhice
Por Rubens Faria

Caso você sinta que fazer amigos depois de adulto não é fácil, acertou. “Quando criança, temos recreio e aula de educação física. Podemos baixar a guarda”, diz Marisa G. Franco, professora e autora de “Como fazer e manter amigos para sempre: Guia prático para se relacionar com todos ao seu redor” (Universo dos Livros; 2022).

Segundo os sociólogos, essas interações repetidas e não planejadas e as oportunidades de vulnerabilidade são necessárias para criar laços de amizade. Com o trabalho remoto, essas opções são cada vez menos numerosas. Uma pesquisa feita em 2021 pelo American Enterprise Institute constatou que o número de adultos que dizem não ter amigos íntimos quadruplicou desde 1990, passando de 3% a 12%. “Nunca estivemos tão desconectados”, diz a psicóloga e escritora canadense Jody Carrington. “E o maior previsor de bem-estar geral não é o que você bebe, fuma ou come. É o engajamento social”.

No Brasil, uma pesquisa do Instituto Locomotiva mostrou que um a cada quatro brasileiro se sente solitário. Outra pesquisa, da psicóloga Julianne Holt-Lunstad, da Universidade Brigham Young, mostrou que a solidão é uma grande ameaça à longevidade, ao lado de fumar 15 cigarros por dia ou ser alcoólatra. Pessoas solitárias ou socialmente isoladas correm risco maior de depressão, demência, morte cardíaca e enfraquecimento da função imune.

Por outro lado, as amizades saudáveis nos ajudam a envelhecer melhor, lidar com o estresse e ter uma vida mais longa e feliz. Além disso, a felicidade é contagiosa. Pesquisadores de Harvard constataram que, quando um indivíduo fica feliz, os amigos que moram num raio de 1,5 quilômetro têm 25% mais probabilidade de ficarem felizes também.
Os pesquisadores concluíram: “A felicidade se estende até três graus de separação; por exemplo, aos amigos dos amigos de alguém.”

Veja aqui oito dicas de especialistas em relacionamentos para fazer e aprofundar amizades.

Não confie apenas na sorte

As amizades não acontecem simplesmente e, se acontecerem, podem não ser sustentáveis. Um estudo publicado na revista Journal of Social and Personal Relationships constatou que a crença de que as amizades se baseiam em fatores externos ou incontroláveis – a sorte, basicamente – permitia prever mais solidão cinco anos depois.

Seja otimista

Num estudo de 2022, pesquisadores da Universidade de Pittsburgh verificaram que quem recebeu uma comunicação inesperada – um bilhete, um presentinho – apreciou mais o gesto do que o remetente previa. Além disso, costumamos subestimar até que ponto as pessoas gostam de nós. Se supusermos que vão gostar de nós, seremos mais calorosos, amistosos e abertos.

Faça uma lista

Escreva o nome de três a cinco pessoas que você já conhece, mas de quem gostaria de se aproximar mais. Envie a elas uma mensagem, um convite para um café, um artigo (ou um meme) que fez você pensar nelas.

Tenha vários amigos

Não se limite a um só amigo íntimo. Ninguém lhe dá tudo de que você precisa. Realmente, um estudo da Universidade do Norte do Illinois, feito em 2020 com mulheres de meia-idade, constatou que as que tinham três a cinco amigas íntimas mostravam um nível mais alto de satisfação geral com a vida.

Espere o constrangimento

O constrangimento não é uma boa razão para evitar relacionamentos novos, ele é uma parte normal de conhecer alguém. Por exemplo, quando vamos à academia e começamos a suar, não entramos em pânico, pensando que isso será ruim para nós. Gillian Sandstrom, psicóloga da Universidade de Sussex, na Inglaterra, pesquisa o efeito de falar com desconhecidos e mostra o outro lado: “A outra pessoa também não quer uma conversa constrangedora”.

Invista tempo

Fazer um amigo íntimo exige tempo, em geral passar mais de 200 horas juntos, no decorrer de várias semanas, segundo um estudo da Universidade do Kansas feito em 2018. Tanto a quantidade quanto a repetição são importantes. Por isso, sugerimos que as pessoas façam um curso ou sejam voluntárias. As atividades repetidas embutem o horário para conhecer os outros.

Aceite a vulnerabilidade

A vulnerabilidade é a pedra angular de qualquer relacionamento saudável. É quando nos sentimos vistos e conhecidos. Para ir mais fundo, faça perguntas do tipo “positivo -negativo”: “qual foi o melhor momento e o mais estressante da semana”. Assim, você reconhece que não há problema se nem tudo foi ótimo.

Prática

“Depois da pandemia, muita gente esqueceu como se socializa”, diz Franco. “A habilidade social é como um músculo e pode ser exercitada”. Num estudo de 2022, os participantes tiveram de falar com desconhecidos todo dia por uma semana. “No fim, as pessoas ficaram mais confiantes para manter a conversa”,diz Gillian. Ler mais

Como se manter saudável em viagens

Para os idosos, as viagens podem ser difíceis e estressantes e há um enorme potencial de complicações médicas, principalmente para quem já tem problemas de saúde. No entanto, elas também podem ser muito empolgantes e enriquecedoras. Precisamos continuar viajando enquanto pudermos – passar algum tempo em outros lugares com pessoas de outras culturas traz valor e interesse à vida.

Contudo, o segredo para tudo dar certo durante as viagens é a preparação. Conheça as providências a tomar para apreciar as férias com o mínimo de estresse. Ler mais

O diagnóstico tardio do Transtorno do Espectro Autista – um desafio para pessoas idosas

O autismo, atualmente chamado de Transtorno do Espectro #Autista (TEA), era antes associado à infância. Hoje, com o avanço das pesquisas sobre a condição e o desenvolvimento das habilidades diagnósticas, está se tornando cada vez mais comum que pessoas idosas descubram que convivem com o transtorno desde sempre.

Saiba quais são os sinais que você deve ficar atento para reconhecer se uma pessoa convive com o TEA e quais as recomendações de tratamento. Ler mais

Avanços no combate ao Alzheimer

Pesquisadores da Universidade de Tuebingen, na Alemanha, descobriram que uma proteína encontrada no sangue pode ser utilizada para prever se um paciente terá Alzheimer até 16 anos antes do início dos sintomas. O estudo foi publicado na revista Nature.

Trata-se de uma proteína chamada neurofilamento de cadeia leve (NFL, na sigla em inglês) que funciona como um marcador no sangue que dá uma indicação de perda de células nervosas no cérebro. Essa proteína se acumula no sangue das pessoas muito antes da doença se manifestar, provocando danos cerebrais e outras doenças, como esclerose múltipla.

Durante o trabalho científico, os cientistas mediram a taxa de mudança de NFL em 405 voluntários que eram portadores de uma mutação genética herdada dos pais. Todos passaram por exames de sangue, imagens do cérebro e testes cognitivos. Ao analisar os resultados, os cientistas verificaram que os pacientes que apresentaram um erro genético possuíam uma concentração elevada da proteína e que ela aumentava ao passar dos anos. Já as pessoas com um gene regular, tinham níveis baixos e estáveis da mesma proteína.

Segundo o especialista, níveis mais altos de neurofilamento indicam danos cerebrais, mas isso também pode ser provocado por lesões cerebrais causadas por um acidente, por exemplo.

Já nos Estados Unidos, outro grupo de pesquisadores desenvolveu um novo exame de sangue que pode determinar se uma pessoa é propensa a desenvolver o mal de Alzheimer igualmente até 16 anos antes que os sintomas apareçam. O teste foi criado na Escola de Medicina da Universidade de Washington, em St. Louis, Missouri, com base no nível de uma proteína específica no sangue, chamada de mudança de luz do neurofilamento (NLC, na sigla em inglês), que faz parte da estrutura interna das células nervosas.

Segundo os pesquisadores, se as células nervosas forem danificadas, a proteína vaza para o líquido cefalorraquidiano – fluido aquoso que envolve o cérebro e a medula espinhal – e depois para o sangue. A detecção de altos níveis de NLC no líquido cefalorraquidiano é um bom indicador dos danos às células cerebrais.

Para realizar o experimento, a equipe recrutou parentes com variantes genéticas raras que causam o desenvolvimento de Alzheimer, entre 30 e 50 anos. Isso permitiu procurar por mudanças físicas que possam ocorrer antes de quaisquer sintomas. Foram analisadas 247 pessoas que carregavam uma variante genética precoce para Alzheimer e 162 pessoas que não tinham essa variação. Os portadores da variante precoce apresentaram níveis elevados de NLC no sangue, sendo que a quantidade aumentou com a idade. Em comparação, os níveis da proteína permaneceram baixos nas pessoas que tinham a variação genética saudável.

Os pesquisadores também estudaram exames cerebrais dos participantes. Eles descobriram que, à medida que os níveis de NLC aumentavam, uma parte do cérebro relacionada à memória (precuneus) começava a diminuir.

Taxas crescentes de NLC foram detectáveis até 16 anos antes que os sintomas pudessem se desenvolver. As pessoas com níveis da proteína em ascensão eram mais propensas a mostrar sinais de declínio cognitivo e degeneração das células do cérebro dois anos depois.

No entanto, o estudo tem limitações: os cientistas analisaram apenas pessoas geneticamente predispostas à doença de Alzheimer, grupo que representa apenas 1% dos pacientes. “Não estamos no ponto em que podemos dizer às pessoas: ‘em cinco anos você terá demência’, mas estamos trabalhando para isso“, afirmou Brian Gordon, co-autor da análise.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a estimativa é que 65 milhões de pessoas desenvolvam a doença em 2030 e assustadores 115 milhões em 2050. Ler mais

Quer voltar a estudar? Conheça incentivos à educação de idosos

Cada vez mais estereótipos sobre a terceira idade e as atividades que lhe são pertinentes têm caído por terra. Em vez disso, muito se tem falado sobre os benefícios de manter o corpo e a mente ativos, entre os quais se inclui o aprendizado entre os mais velhos. Por esse e outros motivos, surgiu nos últimos anos uma série de incentivos para o idoso voltar a estudar. Ler mais

Os benefícios das atividades cognitivas

O processo natural que acompanha o envelhecimento traz características que exigem atenção especial. Nesse sentido, priorizar as atividades cognitivas para pessoas idosas é uma forma segura de minimizar os efeitos dessas mudanças.

Na velhice, o estímulo à realização de exercícios mentais e físicos estão intrinsecamente relacionados à longevidade e à qualidade de vida. Essas práticas resultam em importantes benefícios, como a redução da perda de memória. Entenda por que as atividades cognitivas influenciam diferentes aspectos na terceira idade e confira os benefícios resultantes dessa prática. Ler mais

Hobbies na terceira idade: terapia, realização de sonhos e recuperação de propósito

Mais do que um simples passatempo, ter um ou vários hobbies é terapêutico. O hobby exercita funções motoras e cognitivas, serve de fuga à solidão e é um forte aliado no combate à depressão por incentivar o aprendizado, a socialização e dar um novo colorido aos dias. Se o hobby calha de ser uma prática esportiva, os benefícios vão além, contribuindo para o aumento da ingesta alimentar, ganho de massa magra e perda de massa gorda, equilíbrio, autonomia e prevenção de doenças dos sistemas cardiovascular e respiratório. Ler mais

Quem é mais suscetível a ficar deprimido no final do ano?

Os quadros de depressão no fim de ano são muito comuns e podem aparecer, particularmente, entre pessoas que têm vulnerabilidade para aceitar mudanças no ritmo e nas circunstâncias de vida do ser humano. Há vários contextos e situações de vida que incidem neste período e que funcionam como gatilhos estressores. Embora todos esses sentimentos, juntos e misturados, possam deixar qualquer um cabisbaixo e sem vontade de brindar coisa alguma, os especialistas não acreditam que se trate de um tipo de depressão específico. Isso porque não há nada de patológico nesse estado de melancolia, que tende a passar assim que o ano novo engrena, de fato. Ainda assim, é possível adotar algumas estratégias para atravessar o período sem tanto sofrimento. Ler mais